David Freitas

Só Existe Uma Viagem


O PODER DAS PEQUENAS AÇÕES

Professor de Informática, com experiência no ensino superior, secundário e básico, no desenvolvimento de projetos educativos e tecnológicos e na dinamização de palestras e ações de sensibilização, sobretudo em contexto escolar. Doutorando em Engenharia Informática na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, dedica especial atenção à aplicação da Inteligência Artificial à educação, à literacia digital e à adaptação de conteúdos a contextos socioculturais diversos. Procura colocar a tecnologia ao serviço da inclusão, da aprendizagem e da intervenção social, promovendo conhecimento, participação cívica e impacto real nas pessoas e nas comunidades.

Em 2019, decidiu pedir uma licença sem vencimento, comprar uma “ambulância”, enchê-la de leite de substituição materno e levá-la por via terrestre até à Casa da Mamé, um orfanato em Catió, no sul da Guiné-Bissau, apoiado pela ONGD Na Rota dos Povos. Desde então, tem transformado as viagens que faz até à Guiné-Bissau em projetos pedagógicos, envolvendo jovens de várias idades e chamando a atenção para as desigualdades entre o Norte e o Sul globais. Um dos principais objetivos da primeira viagem era devolver um pouco daquilo que sente que o universo lhe deu e documentar, a partir da estrada, como o lugar onde nascemos pode influenciar profundamente as oportunidades que temos ao longo da vida.

Gostaria de ter começado mais cedo a doar sangue e de ter percebido mais cedo que o que é verdadeiramente importante resulta da simbiose entre a ação individual e coletiva.

Só existe uma viagem: a viagem da nossa vida.

No entanto, teimosamente, tentamos dividi-la no maior número de pedaços possível, como se cada etapa pudesse ser percorrida de forma linear, isolada daquilo que somos, das escolhas que fazemos e do contexto em que vivemos. Essa segmentação, embora útil para o planeamento, pode também afastar-nos da nossa essência. Um desses pedaços mais importantes são as viagens.
Nesta palestra, David Freitas parte das viagens que tem feito até Catió, no sul da Guiné-Bissau, como voluntário da ONGD Na Rota dos Povos, para refletir sobre educação, solidariedade, medo, voluntariado e desigualdades.
Com humor e emoção, conta como a intenção de levar uma “ambulância” carregada de leite de substituição do leite materno até à Casa da Mamé se transformou numa experiência pedagógica, humana e profundamente transformadora. Foi uma viagem de cerca de 5 000 quilómetros, muitos deles no deserto e alguns em zonas marcadas pela presença de minas terrestres, feita por uma das pessoas menos preparadas para a realizar.
Mais do que uma palestra sobre viagens, é uma reflexão sobre caminhos que se cruzam: sobre a forma como a educação e a solidariedade podem ser das mais belas formas de intersecção; sobre o medo como companheiro de caminho; sobre a força das pequenas acções; e sobre a possibilidade de transformar acções individuais em gestos coletivos.
A palestra convida a olhar o mundo a partir de outra perspetiva e a perguntar: o que muda em nós quando percebemos que o lugar que nos foi atribuído podia ter sido tão diferente?
Porque a mesma estrada tem inclinações diferentes consoante o sentido em que a percorremos. O mesmo caminho parece mais longo quando o peso que carregamos é maior. Mas pode tornar-se mais belo quando o percorremos com o coração disponível para ver, escutar e aprender.
Esta palestra é um convite a olhar para a vida como uma só viagem: feita de muitos mapas, muitas paragens e encontros capazes de transformar uma experiência individual num gesto coletivo.

Mais sobre o palestrante

Jornal de Notícias

Público

Relacionados